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Give me 5 minutes

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Ainda sobre Monchique

Estive em Monchique em outubro de 2017 e fiquei fascinada com a beleza natural, com a paz e tranquilidade que aquela serra nos proporcionava, no entanto e como tinha muito presente o incêndio em Pedrogão Grande, algo me preocupou quando passeava por lá. Se por ventura um incêndio deflagrasse em Monchique como seria combatido? Durante o passeio pareceu-me que as estradas eram estreitas e os acessos ao mato ou eram inexistentes ou inadequados para grandes viaturas.

Foi com muita pena e preocupação que a 03 de agosto de 2018 tomei conhecimento do início do incêndio nesta serra tão bonita.

Ainda que fosse uma Serra com muita vegetação, difíceis acessos, e tendo o vento como inimigo, adversidades perfeitamente válidas muito me surpreende a duração e extensão deste incêndio e passo a explicar o porquê.

Parece que quanto mais ferramentas e tecnologias temos ao nosso dispor, mais inabilitados estamos para solucionar os problemas. Hoje em dia dispomos de  telemóveis, de aplicativos como o Google earth o Google maps, helicópteros… e nada disto tem ajudado…

Quando era mais jovem lembro-me de grandes incêndios (em especial no Alentejo) onde as cooperações de bombeiros que contavam essencialmente com bombeiros  voluntários e dispunham de poucos recursos conseguiam  a proeza  não só de dominar os incêndios mais rapidamente como também  travá-los para que a área atingida não fosse tão extensa.

Talvez porque antigamente quem estava à frente do “teatro de operações” (expressão tão utilizada hoje em dia) no terreno e não em frente a um computador era o comandante dos bombeiros que conhecia bem a zona, sabia exatamente os caminhos que podiam usar e que veículos lá podiam circular, também na falta de tecnologia os bombeiros aceitavam a colaboração dos locais que são os que melhor conhecem o terreno.

Antigamente além de se protegerem as vidas humanas tentava-se igualmente proteger os bens das pessoas, hoje em dia, os bens parecem ter passado para segundo,terceiro ou quarto plano…

E sou só eu que acho que as voltas que os helicópteros fazem com as descargas de água, seria de facto mais eficaz se ao invés de água utilizassem a tal “ calda retardante”? É que na minha modesta opinião a água poderá ajudar em pequenos reacendimentos, mas em incêndios com esta força e dimensão, penso que a água nem chega a tocar o solo, evapora a meio do trajeto…

Na tranquilidade, conforto e segurança do meu lar  lá fui assistindo às imagens deste incêndio que os diversos canais  de televisão iam  transmitindo e estava chocada não só com a tragédia que se estava a abater sobre aquelas populações como também com a “vida e força “ que o incêndio estava ganhar.

Se as imagens por si só me chocaram, será que conseguimos imaginar o drama de quem estava no local, que se via impotente para salvar os pertences de uma vida  fossem os seus ou dos outros, que sentia o cheiro a queimado, que  ouvia o estalar das árvores a arder,  que sentia o bafo quente do fogo…???

O que resulta deste desabafo é só e apenas o  tentar compreender quantas mais tragédias serão necessárias para  se perceber que estamos a trabalhar mal? Será difícil enxergar que só reunindo esforços poderemos combater com sucesso estas catástrofes?

Desta vez as pessoas foram salvas mas as vidas delas nunca mais serão as mesmas. As pessoas foram salvas e o resto que se perdeu?

Resta-me deixar aqui Um Reconhecimento aos soldados da paz pela coragem, resistência e persistência. OBRIGADO!

 

 

 

 

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 Caldas de Monchique